Projeto CT-Hidro Chamada 2001
Quinta-Feira, 17 de Maio de 2012  

SITUAÇÃO ATUAL E PRETENDIDA

Desde 1995, por determinação do Conselho Monetário Nacional (CMN), somente ter acesso ao crédito rural os Estados e as Culturas contempladas no zoneamento de riscos climáticos. Atualmente, ter acesso ao crédito aproximadamente 3000 municípios brasileiros na região compreendida entre os Estados do Tocantins ao Rio Grande do Sul. Um estudo feito pelo IPEA em 1992 indica que 95% das perdas na agricultura brasileira eram devidas à seca ou chuva forte. Neste sentido, o zoneamento agrícola estabeleceu níveis de risco que permitiram reduzir esta perda para menos de 20%, aumentado indiretamente a produtividade agrícola.

Quando se depara com um cenário de mudanças climáticas, que trarão alterações profundas no ciclo hidrológico, serão reforçadas as condições favoráveis as perdas, seja por seca ou chuva forte. O incremento de 15% na precipitação pluviométrica, por exemplo, poderá promover acentuadas perdas na colheita do trigo por excesso de chuva, ou inviabilizar a colheita de soja na região dos cerrados por impedir acesso de máquinas no campo. O mesmo acontecerá com a temperatura, quando um incremento de 1 a 5°C aumentará substancialmente a evapotranspiração, acelerando o consumo de água das plantas e a freqüência dos veranicos. E necessário, para se traçar estratégias de sustentabilidade agrícola que visem perenizar a agricultura, conhecer as possíveis alterações promovidas pelo estresse ambiental de origem climática.

Como manter o crédito rural considerando os riscos climáticos, num cenário de aumento de temperatura de 1 a 5°C e aumento de precipitação pluviométrica de 15%? Torna-se necessário refazer a simulação do balanço hídrico com as provisões do IPCC e verificar o que será alterado regionalmente quanto ao risco climático e as datas de plantio para as culturas de soja milho, trigo, arroz, feijão e café. A partir dai, e conhecendo-se os limites impostos pelos índices de corte relacionados com a alteração do ciclo hidrológico (a relação ETR/ETM, neste caso), poderão ser feitas propostas para o melhoramento genéticos de plantas, suavizando o efeito negativa que a alteração da precipitação e o aumento de temperatura terão sobre o zoneamento de riscos climáticos. Ao mesmo tempo, novos mapas de risco serão feitos considerando as possíveis alterações climáticas, re-orientando a médio e longo prazo o crédito rural brasileiro. Simultaneamente, poderão ser estabelecidas novas estratégias regionais de manejo de água, pois serão quantificados os consumos e as necessidades de água das culturas em função das possíveis alterações climáticas.

 

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